domingo, 4 de novembro de 2012

Frente Negra Brasileira





JORNAL: A Voz da Cidade
DATA: 21 de dezembro de 2006
EDITORIA: Site
PÁGINA: Site
MANCHETE: Frente Negra Brasileira
REPÓRTER: José Antônio da Silva Duque

Frente Negra Brasileira
Os movimentos negros sempre tiveram destaque na história do Brasil, principalmente após a Abolição da Escravatura, em 1888, e com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889.
A partir de 1549 (a data não é exatamente certa), o movimento mais importante foi a quilombagem (quilombo), para onde fugiram os escravos em busca de refúgio.
A República dos Palmares, que durou quase 100 anos, foi o destaque nos movimentos negros.
Zumbi dos Palmares, líder escravo alagoano, nasceu em Palmares, em 1655 e morreu em Serra Dois Irmãos, em 20.11.1695. Símbolo da resistência negra contra a escravidão, foi o último chefe do Quilombo dos Palmares, tendo sido morto numa emboscada. Seu corpo foi mutilado e a cabeça, enviada para Recife, onde foi exposta em praça pública.
Zumbi foi chefe da primeira República verdadeiramente livre, das Américas. Palmares ficava nas montanhas, parte superior do Rio São Francisco, em mata fechada. A população de Palmares era superior a 20 mil pessoas. As leis eram muito rígidas, contra roubo, adultério, homicídio, e todas punidas com a morte.
Aconteceram na história do Brasil outros movimentos dos quais os negros não participaram, como a Inconfidência Mineira ou mesmo a Revolta dos Alfaiates, em 1798. Desse movimento participaram escravos, artesãos, alfaiates, enfim, todos que se julgavam oprimidos ou discriminados na sociedade colonial da Bahia.
Após a Abolição da Escravatura, em 1888, foi criado um movimento em que se engajaram centenas de negros, o Isabelismo, que cultuava a Princesa Isabel, intitulada a Redentora. O principal adepto desse pensamento foi José do Patrocínio, que também defendia a monarquia. Esse movimento criou a Guarda Negra, uma tropa de choque. Após a Proclamação da Republica, a Guarda Negra foi dissolvida. Comentários da época diziam que a principal finalidade da guarda era dissolver os comícios republicanos.
Os grupos negros se incorporaram a diversos movimentos populares, como a Guerra de Canudos, em 1910, na revolta da Armada, conhecida como Revolta da Chibatada, encabeçada pelo marinheiro João Candido. Possivelmente, essa foi a última revolta dos grupos negros.
O surgimento da imprensa negra foi com a edição do jornal O Menelick, em 1915, seguido por A Rua, 1916, O Alfinete, 1918, A Liberdade, 1919, A Sentinela, 1920 e O Clarin d´Almeida, 1924.
A Frente Negra Brasileira (FNB), fundada como Partido Político em 16-9-1931, foi oficializada como o Partido da Frente Negra Brasileira, com milhares de adesões nas principais cidades do País, quando chegou a ter mais de 100 mil militantes. A primeira e grande luta contra a discriminação racial foi a favor da inclusão do negro na Força Pública do Estado de São Paulo. A partir de diversas vitórias, a Frente Negra se constituiu em partido político. A vida da Frente Negra como partido foi curta. Com o Golpe do Estado Novo, por Getúlio Vargas, os partidos foram fechados, declarados ilegais e dissolvidos.
Mas o movimento negro não se extinguiu e voltou-se para o panorama cultural. Foi fundado o Teatro Experimental do Negro, em 1944. Em 1907, na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, um grupo de intelectuais negros se une para fundar o jornal A Alvorada. O jornal se propunha a lutar contra a discriminação racial. Em dezembro de 1954, foi fundada a Associação Cultural do Negro (ACN).
Em 1975 foi fundado no Rio de Janeiro o Instituto de Pesquisa e Cultura Negra, que não conseguiu superar problemas financeiros, fechando as portas no final de 1980. No final do século XX e início do século XXI não houve nenhum movimento social do negro brasileiro comparável aos dos direitos civis nos Estados Unidos dos anos 1960.
O sindicalismo reconheceu a importância da temática racial para a organização dos trabalhadores. A Central Geral dos Trabalhadores (CGT) foi responsável pela organização do Seminário Nacional de Sindicalistas Anti-Racistas, em 1998, no Rio de Janeiro.
A filiação a partidos políticos, no entanto, vem aumentando nos últimos dez anos, com a eleição de negros para cargos municipais e estaduais e para o Congresso Nacional.



Nenhum comentário:

Postar um comentário