domingo, 4 de novembro de 2012

Cores que Marcam


JORNAL: Agência Reuters
DATA: 06 de dezembro de 2006
EDITORIA: Site
PÁGINA: Site
MANCHETE: Cores que marcam
REPÓRTER: Dalia Acosta

Cores que marcam 

A imagem de uma mulher branca que passeia por uma rua central de Havana de mãos dadas com um homem negro é cada dia mais comum em Cuba, mas as uniões inter-raciais ainda são mal vistas por uma sociedade que decretou o fim da desigualdade racial há quase meio século.

HAVANA – Alguns amores, simplesmente não são declarados nunca. Outros exigem muita coragem para se manter e enfrentar os estereótipos discriminatórios que marcam as diferenças nesta ilha do Caribe a partir da cor da pele e que estão presentes tanto na população branca quanto na negra ou na mestiça.
“O tempo todo me sentia observada e criticada. As pessoas nos viam passar pela rua e ficavam nos seguindo com o olhar. Alguns amigos começaram a me tratar com frieza ou deixaram de sair comigo; a minha família passou dias sem falar comigo e fiquei sabendo de pessoas que comentaram que eu era uma suja”, conta Madelys Ríos, profissional de 38 anos.
Os preconceitos que ainda cercam o noivado, a união consensual ou o casamento entre homens e mulheres negros ou mestiços e brancos são considerados pelos especialistas como um dos indicadores que mostram com maior nitidez até que ponto persiste a discriminação racial em Cuba.

Amizade sim, família não

Um estudo realizado em meados dos anos noventa por especialistas do Departamento de Etnologia do Centro de Antropologia do Ministério de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, encontrou que apenas 55,2% das 116 pessoas pesquisadas em três bairros da Cidade de Havana consideravam “convenientes” as uniões inter-raciais.
Os casamentos inter-raciais foram reprovados por 68% das pessoas brancas pesquisadas, por 29,4% das mestiças e por 25% das negras. Como norma, todos defendem a amizade com pessoas de outra raça, mas não a formação de uma família.
Apesar de que o tamanho da amostragem não permite considerar os resultados obtidos como conclusivos em uma população de 11,2 milhões de habitantes, o estudo constitui uma referência obrigatória em um país onde a informação estatística é muito escassa e onde não é conhecido o número de uniões entre pessoas de raças diferentes.
“Há pessoas que acreditam que se uma mulher negra casa com um homem branco está melhorando a raça. Eu não gostaria de ver a minha neta com um branquinho. Nós somos negros e estamos orgulhosos disso. Temos a nossa cultura, os nossos santos, os nossos costumes”, disse Josefa Martínez, uma mãe-de-santo de 72 anos.
De acordo com o pesquisador Juan Antonio Alvarado, o racismo, durante o período colonial, foi a ideologia que sustentou o regime escravagista imposto pelos brancos de origem hispânica aos negros hispânicos e sua descendência.
“Sua manutenção após a abolição da escravatura e, posteriormente, na República neocolonialista, foi expressa por meio de um conjunto de idéias e práticas discriminatórias que garantiram a exploração e segregação racial dos setores não-brancos da população”, garante.

A persistência da discriminação

O fim da discriminação racial esteve entre os principais objetivos da Revolução Cubana, desde o seu triunfo, em 1959. Mas a eliminação do racismo institucionalizado e dos mecanismos jurídicos que impediam que a população negra ou mestiça desfrutasse dos direitos não significou a erradicação do racismo.
Isso também não aconteceu com a Constituição da República, vigente desde 1976. Segundo o artigo 41 da constituição, “a discriminação por motivo de raça, cor, sexo ou origem nacional está proscrita e é penalizada pela lei”.
“Pensava-se, ingenuamente, que, se fossem eliminadas as vias institucionais que favoreciam a prática da discriminação racial e a ênfase fosse posta na educação e na convivência cotidiana, automaticamente seria possível varrer as raízes do racismo e dos preconceitos raciais”, disse Jesús Guanche Pérez, autor de vários estudos sobre o tema.
Assim, desapareceram os lugares públicos vedados à população negra e mestiça (praias, cassinos, clubes, hotéis e outros), foi aberta a possibilidade de aceder livre e gratuitamente a todos os níveis de ensino, aos serviços de saúde, esportivos e culturais e a postos de trabalho e cargos de chefia.
Mas não foi revolucionada uma barreira “mais profunda e diversa” que se reproduz e multiplica horizontalmente e que inclui elementos da auto-estima pessoal e complexos psicológicos herdados e transmitidos que, de alguma maneira, condicionam a auto-imagem das pessoas sobre o “suposto pertencimento racial”, assegura Guanche.
Até hoje, a linguagem popular cubana inclui frases como “tinha que ser negro” ou “é tão bom que parece branco”.
A tendência a não reconhecer a persistência do racismo no âmbito social facilitou o aparecimento de manchetes como “A discriminação racial em Cuba não voltará jamais”, artigo publicado por José F. Carneado em 1962, ou “O problema racial em Cuba e sua solução definitiva”, texto de Pedro Serviat, publicado em 1986.
Acentuação da desigualdade

Segundo a investigadora María del Carmem Caño, “os nexos existentes entre o tema racial e sua repercussão no âmbito político ideológico” propiciaram que o problema fosse minimizado durante décadas. Após a crise econômica dos anos noventa, estima ela, a importância do fenômeno foi a extremos.
Uma contribuição importante para a análise da questão racial em Cuba foi a publicação pela revista Temas, em 1996, de um relatório especial sobre etnia e raça. Foram necessários nove anos antes de que aparecesse, em janeiro passado, um número especial da revista La Gaceta de Cuba sobre “Nação, raça e cultura”.
A publicação da União de Escritores e Artistas de Cuba (UNEAC) reconheceu que, apesar dos esforços oficiais para erradicar a discriminação racial, a realidade tem demonstrado que ela está “enraizada a tal profundidade que não bastam procedimentos jurídicos ou políticos”, nem umas poucas décadas, para fazê-la desaparecer.
Na ilha caribenha “a questão racial é principalmente a do racismo antinegro, a discriminação e os preconceitos contra os não-brancos e a oposição a eles”, garante um ensaio do historiador Fernando Martínez Heredia, publicado no número especial de La Gaceta de Cuba.
Especialistas locais reconhecem, também, a existência de elementos de autodiscriminação entre a população negra e deformações na sua identidade sociocultural, que se reproduzem no processo de socialização das relações raciais na escola, na família e nos meios de comunicação de massa.
María del Carmem Caño considera entre essas deformações a aceitação passiva da crítica à sua cultura, “a deficiente autopercepção como grupo social e sua participação, consciente ou não, na reprodução de estereótipos raciais, ao intervir como propagador oral destes”.
De acordo com a pesquisadora, “a crise (iniciada em 1990) tem sido um fator de reprodução e agravamento das desigualdades sociais e, conseqüentemente, das raciais, devido aos nexos históricos que sempre existiram entre raça e classe”.
Em Cuba não existem dados disponíveis atualizados sobre a situação em que vive a população negra e mestiça cubana. De acordo com o Censo de População e Moradias de 1981, na ilha, viviam, nessa data, 6,4 milhões de pessoas brancas, 1,1 negras, 2,1 mestiças e umas 14.000 chinesas.
Mas a informação obtida durante a pesquisa nacional não foi totalmente fidedigna, segundo Guanche. A classificação como branco, negro ou mestiço dependia da apreciação do pesquisador quanto à cor da pele do entrevistado, sem levar em conta antecedentes familiares.
A base real do racismo em Cuba “não é epitelial” senão “muito mais profunda” e está associada à divisão da sociedade em classes, grupos e camadas, às relações de propriedade que condicionam a estrutura e a hierarquia familiar, à psicologia individual e social e ao desenvolvimento pleno das capacidades, estima Guanche.




Seminário propõe bolsa para estudantes afro-descendentes


JORNAL: Ministério da Educação
DATA: 11 de dezembro de 2006
EDITORIA: Site
PÁGINA: Site
MANCHETE: Seminário propõe bolsa para estudantes afro-brasileiros
REPÓRTER: Redação


Seminário propõe bolsa para estudantes afro-brasileiros

Participantes do Seminário Nacional de Avaliação do Uniafro apresentaram proposta, na sexta-feira, 8, de inclusão da bolsa-auxílio no edital do Uniafro de 2007, para estudantes afro-brasileiros que fazem parte do programa.
A bolsa-auxílio dará condições para a permanência dos estudantes afrodescendentes no Programa de Ações Afirmativas para a População Negra nas Instituições Públicas de Educação Superior (Uniafro). A bolsa fortalecerá, também, um dos objetivos do programa, que é reduzir as desigualdades étnico-raciais e regionais.
Outras propostas, como o aumento de cursos de aperfeiçoamento, especialização e extensão voltados para a história da África, da cultura negra e do negro no Brasil, foram aprovadas. Estes cursos são incentivados pelo Uniafro nas universidades federais e estaduais.
A maior participação dos Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (Neabs) no programa também foi uma das sugestões aprovadas. Segundo uma das organizadoras do seminário, a técnica em assuntos educacionais da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC) , Bárbara Rosa, essa abrangência aumentará a integração entre os núcleos universitários, gerando o fortalecimento dos projetos apoiados pelo Uniafro.
As ações aprovadas ainda serão avaliadas pela Secretaria de Educação Superior (SESu/MEC), pela Secad e a Consultoria Jurídica do Ministério da Educação, em conformidade com a Lei de Diretrizes Orçamentárias. As propostas aprovadas farão parte do próximo edital.



Vitória contra o racismo


JORNAL: Afropress
DATA: 17 de dezembro de 2006
EDITORIA: Site
PÁGINA: Site
MANCHETE: Vitória contra o racismo
REPÓRTER: Redação

Vitória contra o racismo 

S. Paulo – A ginasta gaúcha Daiane dos Santos, 23 anos, tornou-se neste domingo (17/12), no ginásio do Ibirapuera, a primeira mulher negra a conquistar o título de bicampeã da Copa do Mundo de ginástica artística.

Com um tsukahara estendido (uma pirueta com mortal de costas, com as pernas esticadas) Daiane levou a medalha de ouro na prova de solo. Segundo a Federação Internacional de Ginástica nenhuma negra havia até agora conseguido um bicampeonato em torneios de expressão da modalidade. Daiane foi campeã mundial em 2.003.
Além do bicampeonato, a ginasta gaúcha, que também comemorou o campeonato mundial conquistado pelo Internacional na vitória de 1 x 0 contra o Barcelona, em Tóquio, conseguiu cumprir uma promessa que havia feito antes da prova: mostrar com a vitória, a irracionalidade e o absurdo do racismo.
“Dizem que no nosso país não existe preconceito, não tem racismo. Tem, sim, e é um preconceito camuflado”, afirmou, lembrando o caso de uma sobrinha de quatro anos, que, brincando recentemente, dentro de uma loja em Porto Alegre, esbarrou em uma moça que acreditou estivesse sendo roubada.
“A mulher fez um escândalo. Ela surtou. Minha sobrinha é uma criança. Isso é revoltante, pois a cor da pele é insignificante. É nítida a diferença de tratamento que dão, por exemplo, ao meu primo quando estou com ele e quando ele está sozinho. É ridículo”, acrescentou.
Daiane foi descoberta em 1.995 quando brincava numa praça no bairro Menino Deus, em Porto Alegre. O bicampeonato também consolidou a posição de líder no ranking mundial de solo. Seu nome – Dos Santos – está inscrito no código de pontuação da Federação Internacional de Ginástica (FIG).


Polícia investiga atos de racismo em escolas


JORNAL: Correio do Estado
DATA: 19 de dezembro de 2006
EDITORIA: Site
PÁGINA: Site
MANCHETE: Polícia investiga atos de racismo em escolas
REPÓRTER: Redação

Polícia investiga atos de racismo em escolas
A investigação sobre o ato de racismo praticado na cidade de São Gabriel do Oeste, no início deste mês, está sob o comando do delegado titular daquela cidade, Gustavo Adolfo Ferrari, que só vai se pronunciar quando tiver concluído o caso. O site eletrônico estampado nos cartazes faz apologia ao nazismo e contém diversas frases do ditador alemão, Adolf Hitler.
No período da sua ditadura e na 2ª Guerra Mundial, os judeus e outros grupos minoritários considerados “indesejados”, como ciganos, negros, homossexuais, deficientes físicos e mentais, foram perseguidos e exterminados no chamado Holocausto.
O grupo racista em São Gabriel do Oeste afixou dezenas de cartazes incitando a discriminação e o preconceito, contra negros e judeus, em três escolas, sendo duas delas estaduais, além de postes da cidade. A inspetora de alunos da Escola Estadual São Gabriel uma dos alvos do grupo, disse que ao chegar à escola na manhã da última segunda-feira foi avisada pelos alunos da existência dos cartazes.
“Abri a escola e fui para a secretaria e os cartazes que estavam nos fundos da escola foram vistos primeiro pelos alunos. Um deles (alunos) que é negro, ficou muito magoado com o que viu e não conseguia sequer falar o que tinha visto de tão indignado”, disse.

Campanhas podem evitar sobras de vagas para negros


JORNAL: Gazzeta do Povo
DATA: 19 de dezembro de 2006
EDITORIA: Site
PÁGINA: Site
MANCHETE: Campanhas podem evitar sobras de vagas para negros
REPÓRTER: Márcio Campos

Campanhas podem evitar sobras de vagas para negros
Pela terceira vez seguida, desde que as cotas foram introduzidas no vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), os calouros negros não serão suficientes para preencher todas as vagas destinadas a eles. Foram para a segunda fase 353 cotistas negros e, a não ser que todos eles passem, o número de aprovados em 2007 será ainda menor do que o de 2006. Para entidades do movimento negro, é preciso intensificar campanhas que mostrem ao jovem que ele pode tentar as cotas sem medo e que é capaz de conseguir a vaga na faculdade.
“A verdade é que o negro não tem estímulo para tentar as cotas”, afirma Paulo Borges, presidente da Associação Cultural de Negritude e Ação Popular (Acnap). Ele menciona a resistência aos cotistas dentro do ambiente universitário. Já a socióloga Marcilene Garcia de Souza, presidente do Instituto de Pesquisa da Afro-Descendência (Ipad), acrescenta que o preconceito chega ainda mais cedo. “A maioria dos professores de ensino médio é contra as cotas para negros. Num ambiente desses, como o jovem pode se sentir incentivado a ser cotista?”, questiona.
Tanto Borges quanto Marcilene elogiam a ação da UFPR, mas acreditam que a universidade pode ir além, intensificando as campanhas publicitárias. “A estratégia é boa, só precisa ser ampliada e chegar aos locais onde ainda não está presente, especialmente nas escolas públicas dos bairros mais pobres. E não basta dizer que existem cotas, é preciso convencer o aluno de que ela é um direito do negro e que optar pela cota é um ato de cidadania”, acredita Marcilene.
O reitor da UFPR, Carlos Augusto Moreira Júnior, afirma que a UFPR faz o que está a seu alcance para incentivar os cotistas. “Fizemos uma série de ações em escolas públicas, visitamos várias delas, e não só em Curitiba; fizemos uma cartilha mostrando como se inscrever pelas cotas”, argumenta.
Moreira afirma que vários estudantes pardos, que poderiam optar pelas cotas raciais, acabam tentando a vaga como estudante de escola pública por medo de serem barrados pela comissão que avalia os aprovados. Borges, que faz parte dessa comissão, diz que o vestibulando não pode ter essa preocupação. “Existem certos traços que são característicos do negro e, se o candidato pardo tem esses traços, ele não precisa achar que será reprovado nessa avaliação”, esclarece.
Marcilene acrescenta que, diante dos números, as entidades do movimento negro fazem uma autocrítica. “Nós também precisamos fazer nossa parte para que mais negros se inscrevam no vestibular. Acho que precisamos, por exemplo, de outros cursinhos solidários para que nossos candidatos estejam mais preparados para superar a primeira fase, onde as cotas não valem”, sugere. Outra possibilidade é aproveitar a experiência dos negros que já estão na universidade, que podem servir de exemplo para os jovens estudantes.
O reitor da UFPR adianta que o caso será estudado assim que saírem os números dos aprovados. “Vamos discutir dentro da universidade e também chamaremos o movimento negro. Pelo menos uma pequena mudança tem de ser feita”, opina. Uma alternativa é reservar o total das cotas para alunos de escola pública, com metade deste número para os negros. Hoje, quando as cotas não são preenchidas, as vagas vão para a concorrência geral. “Se a UFPR pode conceder 40% de suas vagas para cotistas, é mais coerente que esses 40% sejam preenchidos por cotistas, e não apenas 28%”, diz.
Serviço: Cursinhos solidários – Acnap (3349-6710) – Ipad (3018-0993).




Memórias de uma família negra brasileira


JORNAL: Correio Braziliense
DATA: 19 de dezembro de 2006
EDITORIA: Site
PÁGINA: Site
MANCHETE: Jornalista lança o livro `Memórias de uma família negra brasileira`
REPÓRTER: Redação

Jornalista lança o livro `Memórias de uma família negra brasileira`
A história de colonização do Brasil, o processo de escravidão e a segregação racial ainda existente nos dias de hoje afetam a auto-estima do negro brasileiro. O matemático, jornalista e formando em Direito Walter Brito, 52 anos, sabe que é exceção. Negro e nascido numa família pobre, no interior de Goiás, conseguiu superar o preconceito e outros desafios impostos pela vida. No livro recém-lançado Memórias de uma família negra brasileira, ele parte da história pessoal para defender a educação como a principal saída para vencer a discrepância determinada pela cor da pele.
O livro já foi lançado em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Nesta sexta-feira, mais um lançamento está marcado, em Formosa (GO), a pouco mais de 70 km da capital federal. A noite de autógrafos começa às 20h, no Formosa Tênis Clube. A entrada é aberta a toda a comunidade.
Com 18 anos de militância negra, Walter aprendeu com a mãe, a porteira e merendeira Deijanira Carvalho de Brito, que o mundo trata melhor quem estuda. Ele e os sete irmãos conseguiram obter um diploma universitário. “Tivemos oportunidade de estudo. Somos exceção à regra. A comunidade negra sempre esteve atrás e é por meio da educação que vamos conseguir equiparar isso”, comenta o jornalista, que já foi diretor da Fundação Cultural Palmares, hoje ligada ao Ministério da Cultura.
O Estatuto da Igualdade Racial, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), uma ferramenta que poderá dar mais oportunidade de estudo aos negros, tramita no Congresso Nacional desde 1998. Para Walter, a demora na aprovação do projeto é uma atitude racista. “Nesse país, tudo é contra o negro. A elite branca está no poder e não conhece a discussão racial. Tem que ter muita força para superar isso”, diz.
Na opinião de Walter, a mídia precisa mudar a visão que tem da negritude. Ele afirma que as novelas ainda encaram o negro de maneira estereotipada. “A família branca é sempre bem-sucedida. Já a negra nunca é representada de maneira digna. Por trás disso, há uma ironia”, detalha. O jornalista acredita que a cor da pele é determinante na escolha de cargos políticos. “Gilberto Gil não é ministro da cultura porque é negro. É porque ele é mais conhecido que o Lula e o FHC (ex-presidente Fernando Henrique Cardoso) juntos em qualquer parte do mundo”, opina.
Quando o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela veio ao Brasil, Walter o acompanhou. “Ele percebeu como o Brasil é mais racista que o país dele. Aqui, um negro é eliminado na primeira fase de uma seleção de emprego por ser negro. Se um negro entra numa loja, ele não é atendido da mesma forma que um branco”, argumenta.
Apesar de o sistema de cotas para negros já estar em vigor em algumas universidades e, com isso, a discussão racial ter conquistado mais espaço na sociedade, Walter acredita que o avanço ainda é pífio. “O Brasil é tão racista que quando um negro se coloca de maneira mais firme diante de alguma posição ele é logo acusado de cometer racismo ao contrário. Nós derramamos sangue e fizemos o trabalho pesado para construir o Brasil. Precisamos avançar”, afirma. 

Lideranças negras e anti-racistas reagem com indignação


JORNAL: AFropress
DATA: 19 de dezembro de 2006
EDITORIA: Site
PÁGINA: Site
MANCHETE: Lideranças negras e anti-racistas reagem com indignação
REPÓRTER: Redação

Lideranças negras e anti-racistas reagem com indignação
S. Paulo – Intelectuais, lideranças de entidades negras e acadêmicos, reagiram com indignação ao noticiário de que roteiros turísticos promovidos em vários Estados fazem aberta apologia da escravidão, sob o pretexto de desenvolverem o turismo étnico.
Na semana passada o jornal “Folha de S. Paulo”, no Caderno de Turismo, revelou que, em alguns roteiros, os guias se amarram nos troncos e pedem a um voluntário que simule açoitá-los, segundo relata o repórter Fabiano Maisonnave. Os roteiros estão sendo apoiados pelo Governo de Pernambuco.
Ainda nesta semana a ONG ABC sem Racismo entrará com representação junto ao Ministério Público Federal e Ministério Público do Estado pedindo a instauração de inquérito para apurar a prática de crimes por parte dos fazendeiros e de outros responsáveis pelo patrocínio do turismo macabro.
O presidente da entidade e editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira, disse que esse tipo de encenação “não ofende apenas a população negra, mas representa um deboche a qualquer noção de avanço civilizatório e ofende a qualquer pessoa que se paute por padrões civilizados de convivência”.
Na representação é pedida uma ação imediata das autoridades no sentido de se pôr um fim a tais práticas, que estão ocorrendo também nos Estados do Rio de Janeiro e S. Paulo.
O Ouvidor da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiz Fernando Martins, disse que, em agosto, acionou o Ministério Público do Trabalho contra a Fazenda São João, de Barra do Piraí, por ter incluído nos seus roteiros o teatro da escravidão.
Em S. Paulo, o secretário de Turismo, Fernando Longo, lançou recentemente em Sorocaba, a “Rota do Escravo”.
Indignação
O cineasta Joel Zito Araújo, que vem chamando a atenção para o fato de as novelas de TV apenas retratarem o negro como escravo, foi enfático. “Conte com o meu nome de forma ativa”. A mesma atitude foi comunicada por João Jorge, presidente do Olodum da Bahia. Também da Bahia, Jorge Hilton anunciou que as entidades Rede Aiyê HipHop, Instituto Maloca e Banda Simples Rap`ortagem, assinarão a representação da ONG ABC sem Racismo, no sentido de pedindo aos órgãos do Ministério Público Federal e Estadual, que instaurem inquérito para apurar a prática de crimes dos que, a pretexto de promoverem o turismo étnico, fazem apologia da escravidão.
O professor Antonio Sergio Alfredo Guimarães, do Departamento de Sociologia da USP, autorizou a inclusão do seu nome entre os subscritores da representação. “Conte com meu apoio e assinatura”, afirmou. A mesma posição foi manifestada por Carlos Alberto Medeiros, doutorando em Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio e militante do Movimento Negro carioca.
Entidades
Entre as entidades do Movimento Negro, Ana Maria Felippe, coordenadora do Espaço Lélia Gonzalez, lançou campanha nas listas mobilizando dezenas de entidades e lideranças. “Acho fundamental a iniciativa”, afirmou.
A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira) do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, por intermédio do jornalista Miro Nunes, sugeriu: “Vamos aproveitar este fim de ano para dizer um Não a ações como a retratada na matéria abaixo. Apoiamos toda e qualquer ação que elimine a apologia a toda forma de opressão, e a escravidão é uma delas”.
Também apoiaram e assinarão a representação Miryám Hess, suplente da Presidência do Conselho de Gestão da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde, em S. Paulo, o publicitário Carlos Figueiredo, o Núcleo de Mulheres Negras de S. José dos Campos Quilombelas, e o Identidade – Grupo de Ação pela Cidadania de Lésbicas, Gays, Travestis, Transexuais e Bissexuais, de Campinas, decisão comunicada por Paulo Mariante, coordenador de Direitos Humanos Adjunto do Grupo.
A Ação Negra de Integração e Desenvolvimento de Barueri – ANID e a Assessoria de Combate ao Racismo da Prefeitura da cidade, também manifestaram apoio a iniciativa. O jornalista Gerson Pedro se disse indignado. “Estamos novamente diante de uma verdadeira barbárie perpretada contra a população negra brasileira e de maneira alguma vamos ficar indiferentes. Portanto, mais uma vez nos uniremos a causa proposta de colocar esses racistas atrás das grades. Pode contar com o total apoio, aval e participação efetiva”, concluiu.

Ouvidor denunciou Fazenda


JORNAL: Afropress
DATA: 20 de dezembro de 2006
EDITORIA: Site
PÁGINA: Site
MANCHETE: Ouvidor denunciou Fazenda
REPÓRTER: Redação

Ouvidor denunciou Fazenda
Brasília – A Ouvidoria da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) protocolou, em agosto, ofício ao vice-procurador Geral do Ministério Público do Trabalho, Otávio Brito Lopes, pedindo providências contra os proprietários da Fazenda São João da Prosperidade, em Barra do Piraí, no Rio, visando coibir a encenação degradante do teatro da escravidão.
Segundo o Ouvidor da Seppir, Luiz Fernando Martins, também a Embratur foi acionada. O teatro da escravidão, porém, segundo se sabe, continua sendo encenado pelos proprietários nos roteiros turísticos do hotel fazenda.
O ofício da Seppir, com data de 02 de agosto, menciona matéria do site No Mínimo, de 23 de abril deste ano, que tem como título “O teatro da escravidão”. A matéria descreve assim a cena: vestida “com roupas típicas do senhoria do século XIX – babados, rendas, camafeu e saia rodada – a ` sinhá` Luizinha apresenta a fazenda São João da Prosperidade, em Barra do Piraí, no interior do estado do Rio de Janeiro … Da janela, aponta a senzala: “Tenho 300 escravos” orgulha-se, voz impostada e dedo em riste”.
Mais adiante, segue o relato de prática abertamente racista e discriminatória: “De repente, entra correndo pela varanda uma negrinha com remendos de algodão e cabelos presos em tranças. A menina,d e apenas seis anos, se agarra à barra da saia da sinhá, põe o dedo polegar na boca e fixa os olhos nos visitantes. Basta um gesto da sinhazinha para que a pequena escrava abaixe a cabeça e saia da sala. “Não vê que estou com visitas?” – esbraveja a senhora. A menina vai brincar no alambique. Pouco depois, uma mucama adentra o salão, sob ordens de servir café aos convidados.”
O ouvidor lembra os artigos 5º, inciso XLII, da Constituição Federal, que considera a prática do racismo crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão” e o artigo 20 da Lei 7.716/89, com redação dada pela Lei 9.459/97 que define os crimes resultantes de preconceitos de raça ou de cor e estabelece que “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, sujeita o infrator a uma pena de “reclusão de dois a cinco anos e multa”.
Também lembra o Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê que, nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.
Por fim, pediu a instauração de procedimento administrativo investigatório competente bem como a utilização de todas as providências que o caso exigir.

Famílias convivem com ameaça de despejo e Ministra da Igualdade Racial participa de ato ecumênico no quilombo.


JORNAL: Correio de Sergipe
DATA: 20 de dezembro de 2006
EDITORIA: Site
PÁGINA: Site
MANCHETE: Famílias convivem com ameaça de despejo
REPÓRTER: Redação

Famílias convivem com ameaça de despejo
Moradores da comunidade Maloca, localizada no Bairro Getúlio Vargas, estão preocupados com possível despejo de suas residências. Eles são remanescentes de quilombos, moram na comunidade há mais de 50 anos em média, mesmo assim, apareceu um pretenso proprietário do terreno, que ingressou na justiça para reaver a posse de cerca de 90m².
O Instituto Criliber, ONG de defesa das comunidades negras entrou com um processo junto ao Ministério Público Federal e a Fundação Cultural Palmares e aguarda a certidão de reconhecimento de reminiscência quilombola, porém a moradora Maria Luzia Machado Santos (75), já recebeu a visita indesejada do oficial de justiça há mais de 15 dias, a fim de deixar a área.
Conforme o filho da citada no processo, Aluísio Santana Santos Filho, a luta pelo terreno começou em 2002, quando José Getúlio dos Santos disse que a construção da casa de Maria Luiza tinha avançado cerca de 2 metros do seu terreno. Como naquela época não tinha preocupação em fazer o usucapião da terra, ele somente tem um recibo como prova da aquisição.




JORNAL: Click Litoral
DATA: 20 de dezembro de 2006
EDITORIA: Site
PÁGINA: Site
MANCHETE: Ministra da Igualdade Racial participa de ato ecumênico no quilombo da Caçandoca em Ubatuba
REPÓRTER: Redação

Ministra da Igualdade Racial participa de ato ecumênico no quilombo da Caçandoca em Ubatuba
A comunidade quilombola da Caçandoca, em Ubatuba, recebeu no domingo, 17, a visita da ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Matilde Ribeiro. A visita aconteceu durante um ato ecumênico, que reuniu lideranças políticas, representantes de quilombos de Ubatuba e comunidade em geral. O tema abordado foi a paz nas comunidades quilombolas de todo o Brasil.
O deputado federal Vicente Paula da Silva, o Vicentinho, que é da Frente Parlamentar em Defesa dos Quilombos, também marcou presença: “essa é a terceira visita que faço ao quilombo da Caçandoca, e dessa vez é com alegria, pois a terra agora é da comunidade quilombola. Mas o trabalho continua, para que todos possam usufruir os direitos adquiridos, agindo com sabedoria e tolerância frente aos problemas que porventura surjam”, disse Vicentinho.
O executivo municipal compareceu ao ato, com diversos secretários que puderam ouvir da comunidade suas principais reivindicações: Valéria Cress Gelli (Agricultura, Pesca e Abastecimento), Luiz Felipe Azevedo (Turismo), Moralino Valim Coelho (Administração Regional Sul), Delcio Sato (chefe de gabinete).
Vitórias
A assessora de Assuntos Comunitários, Silvana Niel, representou o prefeito Eduardo César na mesa de autoridades e ressaltou que a prefeitura continua parceira dos quilombolas. “Temos acompanhado de perto a luta das comunidades quilombolas de Ubatuba e continuaremos parceiros para buscar junto aos governos estadual e federal todo tipo de melhoria para garantir mais vitórias aos quilombolas de Ubatuba”, disse Silvana.
A ministra Matilde Ribeiro também lembrou que, desde o descobrimento, nenhum governo deu atenção aos quilombolas, como o atual governo tem demonstrado. “Em 500 anos os governos não manifestaram entendimento para resolver a questão da terra dos quilombolas e agora, a comunidade da Caçandoca, que corria o risco de ser despejada a qualquer momento, é a pioneira do programa de regularização fundiária. Precisamos dar continuidade à organização, para que os benefícios já adquiridos não fiquem apenas no papel. É um processo trabalhoso, mas o resultado final valerá a pena”, concluiu a ministra.
O culto ecumênico “Paz nas comunidades quilombolas de todo o Brasil” teve a participação das mães-de-santo Dionísia Gabriel e Lucia Maria, do Sr. Genésio, da comunidade do Camburi, que orou em nome dos evangélicos e do padre José Ailton de Figueiredo. O ato foi uma realização da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, que contou com o apoio da Prefeitura de Ubatuba, através da Assessoria de Assuntos Comunitários. 

Ato em SP marca Dia Internacional


JORNAL: Afropress
DATA: 21 de dezembro de 2006
EDITORIA: Site
PÁGINA: Site
MANCHETE: Ato em SP marca Dia Internacional
REPÓRTER: Redação com a colaboração de Tânia Bernuy e Diana Lopez do Centro de Apoio ao Migrante

Ato em SP marca Dia Internacional
S. Paulo – Cerca de 1.500 imigrantes de vários países da América Latina, documentados e indocumentados, participaram do ato deste domingo na Praça Kantuta, bairro do Canindé, em S. Paulo, que marcou o lançamento da campanha nacional em defesa da cidadania para as comunidades de imigrantes.
Entre outros direitos, a Carta lançada defende o direito de votar e ser votado, Anistia para todos os Imigrantes e suas famílias, ratificação da Convenção da ONU sobre a Proteção dos Trabalhadores Imigrantes e suas famílias, uma nova Lei de Imigração justa, solidária e humanitária, na perspectiva universal e pelo livre trânsito e residência nos países do Mercosul e na Comunidade sul-americana de Nações.
O ato, organizado pelo Serviço Pastoral dos Migrantes com o objetivo de comemorar o Dia Internacional do Imigrante, contou com apresentações culturais e a presença do presidente da Comissão de Direitos Humanos, ministro José Gregori, de Oriana Jara, presidente da ONG Presença da América Latina, e de Lenira Ferreira, representando a Subprefeitura da Mooca, bairro de maior concentração da comunidade latina em S. Paulo.
Durante a manifestação foram ouvidos depoimentos de imigrantes de países como Peru, Chile, Equador e Colômbia. Segundo Paulo Illes, coordenador do Centro de Apoio ao Migrante, a proposta é intensificar a mobilização em defesa dos direitos dos povos oriundos de outros países, especialmente da América Latina, em situação precária.
Para o ex-ministro José Gregori, “os problemas dos imigrantes são os problemas dos direitos humanos”. Para o ano que vem, a idéia é fazer uma grande manifestação, provavelmente no Vale do Anhangabaú.

Afro-Americanos Protestam em Nova Iorque


JORNAL: Jornal Avante
DATA: 21 de dezembro de 2006
EDITORIA: Site
PÁGINA: Site
MANCHETE: Afro-americanos protestam em Nova Iorque
REPÓRTER: Redação

Afro-americanos protestam em Nova Iorque
Dezenas de milhares de pessoas desfilaram no sábado, dia 16, na Quinta Avenida, em Nova Iorque, em protesto contra o assassinato de jovens negros pela polícia.
Os manifestantes, na sua maioria afro-americanos, marcharam ao longo de dois quilômetros pela rua de luxuosas lojas exprimindo a sua justificada revolta contra a polícia racista que alveja e mata jovens negros, e em especial contra o selvagem assassinato pela polícia de Sean Bell, de 23 anos, no passado dia 25 de Novembro, poucas horas antes do seu casamento. A mensagem dos manifestantes foi um “não às compras do costume” durante o tradicional frenesim de consumo da época natalícia.
A 25 de Novembro, Bell saiu às 4 horas da manhã da festa de despedida de solteiro em Queens, nos arredores de Nova Iorque, com dois amigos. Quando entraram ao carro, cinco polícias graduados, nenhum deles usando uniforme, aproximaram-se da viatura de arma em punho. Nenhum dos oficiais armados se identificou como polícia. Os três amigos assustaram-se, afirmam os sobreviventes, e tentaram sair dali com o automóvel.
Apesar de nenhum dos ocupantes do carro estar armado, a polícia abriu fogo. Não disparam uma ou duas vezes. Descarregaram 50 balas sobre o veículo. Alguns dos projéteis entraram numa estação de comboios suburbanos próxima, o que fez com que os passageiros se atirassem para o chão. A maioria das balas atingiu o carro. Três tiros acertaram e mataram Bell. O seu amigo, Joseph Guzman, foi atingido 11 vezes e está hospitalizado em situação crítica. O outro, Trent Benefield, foi atingido três vezes. Os dois amigos feridos foram algemados para as camas do hospital.
Um dos oficiais brancos, o detetive Mike Oliver, só à sua conta despejou um carregador completo, voltou a carregar a arma e esvaziou novo carregador – num total de 31 balas.
O regulamento do Departamento da Polícia de Nova Iorque no que respeita a alvejar veículos em andamento afirma claramente que a polícia não pode atirar contra um veículo em andamento “a menos que tenha sido usada força letal (…) por meios que não o próprio veículo”. Os oficiais envolvidos foram colocados sob suspensão administrativa, mas continuam a receber o seu salário.
Racismo policial
À medida que desfilavam pela Quinta Avenida, os manifestantes contavam de um a 50 elevando as vozes enquanto apontavam para as centenas de polícias alinhados ao longo da rua atrás de barricadas de metal – o “redil” que a polícia de Nova Iorque usa para encurralar as manifestações.
A violência policial contra afro-americanos atinge níveis muito mais elevados do que os usados na prática policial contra pessoas de origem européia. De um modo geral, a sociedade norte-americana é extremamente repressiva. Com cerca de dois milhões de pessoas em centros de detenção e nas prisões, os EUA têm cinco por cento da população mundial e 25 por cento dos presos. Os afro-americanos representam mais de um terço desses presos, embora sejam apenas cerca de 12 por cento da população. Nas comunidades afro-americanas a polícia é vista como uma espécie de exército de ocupação. Os polícias não hesitam em atirar contra uma pessoa negra suspeita de qualquer crime. Chegaram mesmo a ponto de derrubar a porta da casa de Kathryn Johnston, de 92 anos, em Atlanta, numa rusga contra a droga, por engano, e a pô-la fora de casa sob a ameaça de armas quando ela se tentou defender.
Ordem para matar
Mas o assassinato de Bell teve uma resposta especial. O fato de terem sido disparados 50 tiros, de Bell estar em vésperas de se casar e de a família de Bell ter exigido justiça sem rodeios contribuiu para mobilizar uma resposta popular em massa.
Os pais de Bell, a sua noiva, Nicole Paultre Bell – que é mãe dos dois filhos de Bell – e Benefield, que foi libertado do hospital e está agora numa cadeira de rodas, participaram na marcha pela Quinta Avenida. Todos falaram exigindo justiça para a vítima, que o comissário da polícia se demita e que seja feita uma investigação independente dos meios policiais à morte de Bell.
De referir que Nicole Paultre mudou legalmente o nome para Nicole Paultre Bell após o assassinato do seu companheiro.
A marcha de 25 de Novembro foi a maior de uma série de protestos, em que participaram dirigentes bem conhecidos da política, como Al Sharpton e Jesse Jackson. Numa anterior manifestação junto ao comando central da polícia, um conselheiro progressista da Cidade de Nova Iorque, Charles Barron, afirmou: “De cada vez que eles vêm à nossa comunidade e desrespeitam a nossa juventude, desrespeitam as nossas famílias, nós dizemos que já basta (…) Precisamos fazer saber a este sistema que eles têm de ter cuidado connosco”.
A próxima ação de protesto está marcada para hoje, 21 de Dezembro. Convocada pelo Movimento Homem Negro e pelo Movimento 12 de Dezembro, a ação é apresentada pelos organizadores como um “dia de injúria” em que esperam fechar a Wall Street em desafio à “política da polícia para os negros – `atirar a matar`”.




Frente Negra Brasileira





JORNAL: A Voz da Cidade
DATA: 21 de dezembro de 2006
EDITORIA: Site
PÁGINA: Site
MANCHETE: Frente Negra Brasileira
REPÓRTER: José Antônio da Silva Duque

Frente Negra Brasileira
Os movimentos negros sempre tiveram destaque na história do Brasil, principalmente após a Abolição da Escravatura, em 1888, e com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889.
A partir de 1549 (a data não é exatamente certa), o movimento mais importante foi a quilombagem (quilombo), para onde fugiram os escravos em busca de refúgio.
A República dos Palmares, que durou quase 100 anos, foi o destaque nos movimentos negros.
Zumbi dos Palmares, líder escravo alagoano, nasceu em Palmares, em 1655 e morreu em Serra Dois Irmãos, em 20.11.1695. Símbolo da resistência negra contra a escravidão, foi o último chefe do Quilombo dos Palmares, tendo sido morto numa emboscada. Seu corpo foi mutilado e a cabeça, enviada para Recife, onde foi exposta em praça pública.
Zumbi foi chefe da primeira República verdadeiramente livre, das Américas. Palmares ficava nas montanhas, parte superior do Rio São Francisco, em mata fechada. A população de Palmares era superior a 20 mil pessoas. As leis eram muito rígidas, contra roubo, adultério, homicídio, e todas punidas com a morte.
Aconteceram na história do Brasil outros movimentos dos quais os negros não participaram, como a Inconfidência Mineira ou mesmo a Revolta dos Alfaiates, em 1798. Desse movimento participaram escravos, artesãos, alfaiates, enfim, todos que se julgavam oprimidos ou discriminados na sociedade colonial da Bahia.
Após a Abolição da Escravatura, em 1888, foi criado um movimento em que se engajaram centenas de negros, o Isabelismo, que cultuava a Princesa Isabel, intitulada a Redentora. O principal adepto desse pensamento foi José do Patrocínio, que também defendia a monarquia. Esse movimento criou a Guarda Negra, uma tropa de choque. Após a Proclamação da Republica, a Guarda Negra foi dissolvida. Comentários da época diziam que a principal finalidade da guarda era dissolver os comícios republicanos.
Os grupos negros se incorporaram a diversos movimentos populares, como a Guerra de Canudos, em 1910, na revolta da Armada, conhecida como Revolta da Chibatada, encabeçada pelo marinheiro João Candido. Possivelmente, essa foi a última revolta dos grupos negros.
O surgimento da imprensa negra foi com a edição do jornal O Menelick, em 1915, seguido por A Rua, 1916, O Alfinete, 1918, A Liberdade, 1919, A Sentinela, 1920 e O Clarin d´Almeida, 1924.
A Frente Negra Brasileira (FNB), fundada como Partido Político em 16-9-1931, foi oficializada como o Partido da Frente Negra Brasileira, com milhares de adesões nas principais cidades do País, quando chegou a ter mais de 100 mil militantes. A primeira e grande luta contra a discriminação racial foi a favor da inclusão do negro na Força Pública do Estado de São Paulo. A partir de diversas vitórias, a Frente Negra se constituiu em partido político. A vida da Frente Negra como partido foi curta. Com o Golpe do Estado Novo, por Getúlio Vargas, os partidos foram fechados, declarados ilegais e dissolvidos.
Mas o movimento negro não se extinguiu e voltou-se para o panorama cultural. Foi fundado o Teatro Experimental do Negro, em 1944. Em 1907, na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, um grupo de intelectuais negros se une para fundar o jornal A Alvorada. O jornal se propunha a lutar contra a discriminação racial. Em dezembro de 1954, foi fundada a Associação Cultural do Negro (ACN).
Em 1975 foi fundado no Rio de Janeiro o Instituto de Pesquisa e Cultura Negra, que não conseguiu superar problemas financeiros, fechando as portas no final de 1980. No final do século XX e início do século XXI não houve nenhum movimento social do negro brasileiro comparável aos dos direitos civis nos Estados Unidos dos anos 1960.
O sindicalismo reconheceu a importância da temática racial para a organização dos trabalhadores. A Central Geral dos Trabalhadores (CGT) foi responsável pela organização do Seminário Nacional de Sindicalistas Anti-Racistas, em 1998, no Rio de Janeiro.
A filiação a partidos políticos, no entanto, vem aumentando nos últimos dez anos, com a eleição de negros para cargos municipais e estaduais e para o Congresso Nacional.



Projeto Afro- Descendente no Brasil



Projeto Afro-Descendente No Brasil

Professores: Ilsa C. da Silva Mário Kupicki Projeto desenvolvido com os alunos do 9º ano (8ª1 e 8ª3) da Escola de Educação Basica Luiz Bernardo Olsen. 1. INTRODUÇÃO A África caracteriza-se pela diversidade cultural. A História desse continente é rica e está intimamente ligada à História do Brasil. Os africanos, trazidos para o nosso pais como escravos, entre os séculos XVI e XIX, enriqueceram a cultura do povo brasileiro com seus costumes, rituais religiosos, culinária, danças e muito mais. Importante também é resgatar a historia e a cultura dos povos que habitaram o continente africano, pois até a entrada em vigor da lei 10.639 de 2003, a disciplina de História não considerava a vida em sociedade, os rituais religiosos africanos na sua grade curricular. A cultura do povo africano passou de geração a geração, por um anonimato nos currículos oficias escolares. Para corrigir essa omissão histórica e resgatar a herança africana e ignorada, está em vigor no Brasil, nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio das escolas oficiais e particulares. O conhecimento de nossa raízes e culturais é fundamental para afirmação da nossa identidade brasileira multiétnica e pluricultural. O Brasil é um dos países que mais possui população negra em todo mundo. Isso devido aos mais de 4 milhões de homens, mulheres e crianças que foram trazidas para cá com o comércio de escravos nos meados do ano 1500. Os escravos, conseguiram sua liberdade, porém continuaram sendo descriminados, humilhados e mal tratados. Muitos não possuíam bens e local para morar, o que gerou problemas, como as favelas que hoje encontramos no Rio de Janeiro por exemplo. Hoje os “ afro-brasileiros” se destacam na música, no meio comercial, no teatro, em filmes, no meio empresarial e em muitos outro meios no Brasil, muitas vezes superando o branco. OS AFRO-BRASILEIROS Desde que eram escravos, os “ afro-brasileiros” já possuíam uma infinidade de aspectos próprios como por exemplo: a cultura a religião e a arte. Arte Baseada nas historias, crenças, lendas e na filosofia africana, basicamente feita com elementos da natureza. MÚSICA Criada pelos afro-brasileiros é mistura da musica portuguesa, indígena e africana, produzindo uma grande variedade de estilos. Entre os estilos influenciados temos: Samba, maracatu, maxixe, lambada, carimbo entre outros. A musica afro-brasileira era altamente descriminado, sendo vista como “musica para marginais” somente no século XX, que começou a ser aceita pela população. Os instrumentos utilizados: os tambores e o berimbau. COZINHA A cozinha brasileira deriva em grande parte da cozinha africana, mesclada com elementos da cozinha indígenas e portuguesa. Na Bahia, principalmente, pratos como vatapá e moqueca são típicas da culinária afro-brasileira. A feijoada é uma mistura de feijão preta, carne de porco e farofa. Alguns afro-brasileiros conhecidos: Pelé, Daiane dos Santos, Agnaldo, Timóteo, Vanessa da Mata, Marcelo D2, Gilberto Gil, Tobias Barreto, Cafú, entre muitos outros. 2. JUSTIFICATIVA A África, da qual recebemos milhares de africanos, por mais de três séculos, solucionando o problema populacional nas colônias portuguesa, sendo que o escravo africano possui uma influência decisiva na constituição da nossa cultura. É preciso abordar a questão da África-berço da humanidade e do negro, não de modo parcial, focada apenas na escravidão, na pobreza, no sofrimento ou no imperialismo, mas resgatando os valores culturais e o significado da contribuição dos africanos para o mundo moderno. Para promover a releitura da história do mundo africano, sua cultura e os reflexos sobre a vida dos afro-brasileiros em geral, rompendo com o modelo vigente na sociedade brasileira, garantido a cidadania e a igualdade racial. A Lei em si não basta, é preciso que modifiquemos o ensino-aprendizagem para que tenhamos um resultado eficaz, valorizando conhecimentos dessa cultura e fazendo acontecer mudanças necessárias. 3. OBJETIVOS GERAIS: • Trabalhar a interdisciplinaridade na questão afra, adequando à legislação em vigor; • Reconhecer e valorizar as contribuições do negro na formação étnica, cultural e econômico do povo brasileiro. OBJETIVOS ESPECIFICOS 1. Promover uma nova visão da História dos Africanos do período colonial, com seus reinados e impérios, sua cultura e os reflexos sobre a vida do afro-brasileiro em geral. 2. Garantir ao afro-brasileiro a construção de sua personalidade com referências em outros negros. 3. Trabalhar a cultura, religiosidade e peculiaridades da diversidade cultural afro; 4. Conhecer os povos da África; 5. Estudar a realidade economia, política e ambiental contemporâneo; 6. Trabalhar o imperialismo e suas conseqüências. METODOLOGIA O presente projeto será desenvolvido com as turmas do 9º Ano ( 8ª1 e 8ª3) e a comunidade, esta ultima foi envolvida com o intuito de disseminar o conhecimento da cultura afrodescendente e sua importância, as atividades a serem desenvolvidas serão: - Mapas: para a identificar as regiões que foram ocupadas pelos afrodescendentes, trabalhos que eram executados por eles, as etnias que ocuparam essa região, bem como sua a língua maternal. - A religião africana que foi introduzida na cultura brasileira. - Formação de grupo de danças como: • Kuduro: é a mistura de semba, um ritmo angolano tradicional, com batidas eletrônicas. O semba é o velho samba conhecido dos brasileiros, pois ele é o ancestral do samba. Talvez por isso o sucesso do ritmo não só em Salvador, Rio de Janeiro e Maranhão, cidades onde existem grupos que cantam na cadência “Kuduro”. Já o nome “Kuduro” pode ser uma referência ao principal passo desta dança: a contração das nádegas, a dança tem tudo a ver com o axé. • Comida: a comida africana foi incluída no cardápio português. • Arte: Os povos africanos faziam seus objetos de arte utilizando diversos elementos da natureza. Faziam esculturas de marfim, máscaras entalhadas em madeira e ornamentos em ouro e bronze. Os temas retratados nas obras de arte remetem ao cotidiano, a religião e aos aspectos naturais da região. DESENVOLVIMENTO: Fazer uma abordagem sobre o projeto “Afro-descendente” para os alunos terem conhecimento como será desenvolvido o projeto que seguirá da seguinte forma: 1º Momento Pesquisa na Internet; - Sobre a origem desse povo, - A cultura - A religião, - A localização geográfica no Brasil, - A dança - A arte. PRÁTICA - Desenho do mapa - Elaboração das mascaras; - Elaboração das esculturas típicas africanas; - Colagem de legenda para identificação da localização geográfica; - Colagem das imagens como: a comida, e arte (máscara) - Ensaio de dança (capoeira); 2º Momento - Amostra do prato típico africano quibebe - Montagem do mural - Organização do espaço físico para a exposição do material. APLICAÇÃO 8ª1 e 8ª 3 Disciplinas: História e Geografia LOCALIZAÇÃO GEOGRAFICA DOS AFRICANOS CAPTURADOS NA AFRICA CULINÁRIA AFRICANA QUIBEBE PAMONHA MOQUECA CUZCUZ VATAPÁ FEIJOADA ACARAJÉ ARTE AFRICANA A DANÇA KUDURO NA ÁFRICA ARTISTA AFRO-DESCENDENTES FAMOSOS NELSON MANDELA CAMILA PITANGA MILTON GONÇALVES GLÓRIA MARIA THAIS ARAÚJO JOGADORES FAMOSOS PELÉ ROMÁRIO RONALDO RONALDINHO GAÚCHO ROBINHO CANTORES FAMOSOS ALEXANDRE PIRES BEYONCE DESENVOLVIMENTO DO PROJETO ARTE ESCULTURA NAVIO NEGREIRO CULINÁRIA - QUIBEBE MURAL